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terça-feira, 28 de abril de 2015

Pico da Bandeira

(Fonte: Google)

O Pico da Bandeira é o ponto mais alto dos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais, como também de toda a Região Sudeste do Brasil. É também o terceiro ponto mais alto do país, com 2.892 metros de altitude.

Localizado na Serra do Caparaó, na divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, o Pico da Bandeira fica inserido no Parque Nacional do Caparaó é um dos destinos mais procurados pelos adeptos do montanhismo no Brasil. 


O cume é constituído por rochas e abaixo delas encontramos vegetação típica de campo de altitude. Do local pode-se ter vistas das cidades, bem como dos pontos mais elevados da Serra do Caparaó como por exemplo: Pico do Cristal, Pedra Menina, Pico do Calçado, etc.


(mapa do Pico da Bandeira por MG - Fonte: Google)


A carta topográfica do IBGE para a região, publicada em 1977, mostra o cume propriamente dito inteiramente dentro do Espírito Santo, a poucos metros da divisa mineira, e alguns serviços de imagens de satélite, como o Google Maps, também o fazem. Entretanto, o Anuário Estatístico do Brasil, também do IBGE, lista o Pico da Bandeira como o ponto culminante de ambos os Estados, sendo esta a posição oficial do órgão. Ainda segundo o mesmo Anuário, as coordenadas do Pico são 20º26'04" de latitude sul e 41º47'44" de longitude oeste.

A Unidade de Conservação a qual está inserido o parque abrange um território de aproximadamente 31,8 mil hectares com cerca de 80% do parque inserido no estado do Espírito Santo.


(mapa do entorno da Serra do Caparaó - Fonte: Google)

Nesta Unidade de Conservação (UC) estão os cinco dos dez picos mais altos de todo o território nacional, destacando-se além do tradicional Pico da Bandeira (2.892 m), o Pico do Cruzeiro (2.852 m), o Pico do Calçado (2.849 m), o Pico do Calçado Mirim (2.818 m) e o Pico do Cristal (2.770 m).


(Fonte: Google)

O parque abriga ainda outros picos, menores em tamanho, mas também de altitudes consideráveis, como o Morro da Cruz do Negro (2.658 metros), o Pico da Pedra Roxa (2.649 metros), o Pico dos Cabritos ou do Tesouro (2.620 metros), o Pico do Tesourinho (2.584 metros), e a Pedra Menina (2.037 metros) todos em território capixaba.

A rede de drenagem do Parque é caracterizada por inúmeros rios perenes de pequeno e médio porte. Seu principal divisor de águas é constituído pelas cordilheiras Três Lagoas e dos Calçados.



Criação do Parque


O Parque Nacional do Caparaó é uma Unidade de Conservação Federal com uma área de aproximadamente 33.000 ha, criada em 24 de maio de 1961 pelo decreto federal nº 50.646 assinado então pelo presidente Jânio Quadros. 

Esta UC é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), cujo objetivo maior é proteger o terceiro pico mais alto do país, o Pico da Bandeira, proteger os recursos naturais existentes e proporcionar atividades ecoturísticas em sua área, realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental.

Essas razões tiveram a primeira referência à proteção legal da área em 1922, após a visita ao local de uma missão de pesquisadores brasileiros e estrangeiros. Nessa mesma época, certa mobilização social para a proteção da área já existia, demonstrada pelas notícias veiculadas em jornais que falavam da necessidade de instituir uma reserva acima da cota dos 1.800 m de altitude.

Contudo, o primeiro dispositivo legal de proteção na região do PARNA do Caparaó foi apenas em 20 de setembro de 1948, o Decreto Lei Estadual no 55, que criava a “Reserva Florestal do Pico da Bandeira”. Rapidamente, no mesmo ano da criação da reserva estadual, o então diretor do Parque Nacional da Serra dos Órgãos encaminhou parecer favorável à transformação da área em Parque Nacional. Da mesma forma, em 1953, a Câmara Municipal de Espera Feliz, Espírito Santo, dirigiu-se ao Presidente da República solicitando a criação do Parque. Vários pedidos foram feitos subseqüentemente, até que, em 1961, o presidente Jânio Quadros criaria o Parque Nacional do Caparaó (IBDF, 1981; Urban, 1998).



Hoje, grande parte dos visitantes que chegam ao parque vem atraídos não só pelas belezas naturais, mas também pela perspectiva de acessar o Pico da Bandeira, conhecer o ecossistema da Unidade, conhecer trabalhos desenvolvidos de Educação Ambiental, desenvolvimento das comunidades, entre outros. As montanhas do maciço da Serra do Caparaó apresentam paisagens de grande beleza, existindo também outros picos importantes como o Pico do Cristal (2.770 m) e o Pico do Calçado (2.849 m).


Atributos Históricos


A região do Parque Nacional do Caparaó possui histórico muito rico que, de certa forma, reproduz os diferentes ciclos de “desenvolvimento” econômico do país e, mais particularmente, da associação destes com a destruição da Mata Atlântica. Este fator tem grande importância pois poderia ser melhor aproveitado tanto em atividades de interpretação no Parque, quanto em programas de educação ambiental.

A região que onde se encontra o Parque Nacional foi ocupada, em tempos remotos, por diferentes grupos indígenas. Encontravam-se aí Botocudos, Poris (ou Puris), numerosas tribos Tapuias e, posteriormente, os Tupis. Genericamente, a região abrigava grupos de caçadores-coletores que com sua resistência à colonização dos portugueses impediram, por certo tempo, a destruição da Mata Atlântica em várias regiões, sendo alvo de perseguição oficial e legalizada (Dean, 1996; Ribeiro, 1996).

(retrato da luta entre os portugueses e os botocudos - Fonte: Google)

Com o fim da mineração nas Minas Gerais no século XVIII, o cultivo de café substituiu o ouro no processo de povoamento mineiro e a região da Zona da Mata Mineira, que incluía cidades como Carangola e Manhuaçu próximas ao Parque, tornou-se cafeicultora, atraindo a partir do final do século XIX imigrantes italianos, suíços, alemães, espanhóis e portugueses. Porém, com o tempo, a terra foi sendo esgotada, a mão-de-obra foi escasseando, o café foi perdendo valor econômico e regiões mais férteis foram abertas ao seu cultivo. Com isso, a pecuária de leite sucedeu o café como atividade econômica predominante na região, até à volta do café em anos mais recentes, o qual predomina na atualmente.

A chegada do transporte ferroviário à região constitui outro fato marcante. Por volta de 1913, a “The Leopoldine Railway” chegou para transportar produtos agrícolas e madeiras nobres como o cedro. Além da destruição causada pela comercialização da madeira, os trens utilizavam locomotivas a vapor que se abasteciam de carvão vegetal proveniente das florestas locais. Atualmente, a estrada de ferro encontra-se desativada e seu leito substituído por estradas de rodagem, restando apenas alguns trechos e construções associadas, algumas das quais de valor turístico (MMA, 1997).

A região do Caparaó está ligada também à história mais recente do país, mais especificamente àquela das guerrilhas oposicionistas ao governo militar. Por volta de 1966, um grupo reuniu-se no alto da Serra do Caparaó com o objetivo de derrubar o governo militar. O movimento no entanto foi abortado pelo governo e os envolvidos foram presos (Anônimo, 1992).

Mais para o sul, penetrando já na região mineira, entre a zona litorânea e a Serra do Espinhaço, que foi o país dos Botocudos, dos Poris, e de numerosas tribos Tapuias, há raridade dos nomes selvagens na geografia local. Prevalecem denominações portuguesas entre alguns nomes tupis.

Dificilmente se encontrará ai um nome Tapuia, Botocudo, Pori ou Camaca, designando um monte, um rio ou um povoado. Caparaó, e outros, são bem poucos vestígios da língua dos primitivos dominadores, acaso salvos do dilúvio tupi ou português, que o bandeirante ou missionário estendeu por toda a parte.


A Guerrilha do Caparaó


A Guerrilha de Caparaó, ocorrida entre fins de e início de 1967, foi provavelmente o primeiro movimento  no país de resistência armada à ditadura. O cenário de tal movimento, a região do Parque Nacional de Caparaó, localizado na divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, era considerado um ponto estratégico, havendo indícios de que grupos de esquerda já haviam realizado estudos de reconhecimento para a implantação de focos guerrilheiros ainda no governo João Goulart e logo após o golpe de 1964.

(foto da Guerrilha do Caparaó - Fonte: Google)

Apesar do envolvimento de alguns civis ligados a organizações de esquerda, os integrantes da Guerrilha eram em sua maioria militares, principalmente ex-sargentos e marinheiros que participaram das manifestações em favor das reformas de base no governo de João Goulart.

O movimento ainda contava com o apoio do ex-governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, na época exilado no Uruguai. Brizola havia tentado resistir ao golpe assim que  este  ocorreu, mobilizando políticos e militares fiéis à Jango. Entretanto, com a desistência do presidente de resistir ao golpe de Estado, o ex-governador embarca para o país vizinho de onde passa a tramar uma reação armada ao grupo que havia se usurpado o poder. É no exílio que Brizola mantém contato com o governo cubano, conseguindo dinheiro e o envio de homens ao país no intuito de realizarem o treinamento guerrilheiro. Segundo Denise Rollemberg, cinco integrantes da Guerrilha de Caparaó teriam realizado o treinamento em Cuba.

A descoberta do movimento da guerrilha levou a localidade cerca de 10 mil soldados e a Força Área Brasileira para efetuar a prisão dos guerrilheiros. A presença de tanques de guerra e aviões de combate foi um fato que para sempre marcou a vida das pessoas que viviam em Alto Caparaó.

Pela Lei n° 8.285 de outubro de 1982 o Distrito de Caparaó velho passou a se chamar Alto Caparaó e através do plebiscito popular, emancipou-se do Município de Caparaó em 1995.



- O pico possui esse nome porque, por volta de 1859, o imperador Pedro II determinou que fosse colocada uma bandeira do Império naquele que, na época, era tido como o ponto mais alto e imponente do Brasil, pois até o ano de 1968, foi considerado o ponto mais elevado do Brasil, perdendo o titulo para os picos da Neblina (3.014 m) e 31 de Março (2.992 m) após nova demarcação na fronteira brasileira com a Venezuela.

- Mesmo sendo o terceiro ponto mais alto do Brasil, o Pico da Bandeira é a mais acessível das montanhas mais altas do país pois existem trilhas muito bem sinalizadas pelo lado do Espírito Santo (Portaria Capixaba na comunidade de Pedra Menina, em Dores do Rio Preto) e também pelo lado de Minas Gerais (Portaria Mineira em Alto Caparaó). Apesar disso deve-se ter bastante cuidado à noite para não se perder.

- Existem duas lendas a respeito da origem da palavra Caparaó:
  1. Segundo alguns historiadores é que a palavra Caparaó é indígena e significa "Águas que rolam (ou descem) das Pedras". 
  2. Outra lenda que contradiz a história, atribuído o seguinte: Existiu no campo hoje o parque, um boi muito bravo, chamado Ó, que afugentava quem tentasse capturá-lo. Fez-se um mutirão entre os boiadeiros e depois de muitos dias e de lutas, conseguiram vencê-lo e como prova de tal bravura, resolveram castrá-lo. Logo surgiu o boato: "Caparam o Ó".


A região que compõe o Pico da Bandeira é um dos pontos mais frios da região Sudeste possuindo temperaturas amenas, entre 19 e 22º C. Nos locais mais elevados, durante os meses de junho e julho, são frequentes as temperaturas mínimas atingindo -4º C, sendo comum a ocorrência de geadas. O período de novembro a janeiro apresenta-se mais chuvoso e de abril a setembro ocorre intensa estiagem no local. As temperaturas no Pico da Bandeira podem chegar até -10°C.



O Parque dispõe de dois campings no lado do Espírito Santo (camping Macieira e Casa Queimada) e dois no lado de Minas Gerais (Tronqueira e Terreirão), onde o visitante pode desfrutar de contato direto com a natureza. É necessário efetuar reserva com antecedência para aqueles que desejarem permanecer acampados. Informações sobre reserva podem ser obtidas pelos telefones da Unidade de Conservação: 

  • (32) 3747-2086 (Portaria de Alto Caparaó)
  • (32) 3747-2943 (Sede Administrativa)
Há também pousadas e hotéis, distantes entre 1,5km a 4km da sede da UC, no município de Alto Caparaó, com preços variados. Pelo lado capixaba há também a oferta de hospedagem e alimentação, na sede do município de Dores do Rio Preto e no distrito de Pedra Menina, bem como na cidade de Espera Feliz (MG).

Segue o link a respeito das pousadas encontradas em Alto Caparaó:
http://www.altocaparao.mg.gov.br/terismo/hoteis-e-pousadas.html


Os valores dos ingressos estão descriminados abaixo:



Para mais informações acesse:
http://www.icmbio.gov.br/parnacaparao/guia-do-visitante.html


A melhor época para se visitar o parque se encontra entre os meses de abril e setembro, considerada temporada das montanhas. Nesta época, apesar de ser mais fria, o tempo se torna mais estável, evitando assim que imprevistos possam acontecer estando a mais de 2.000 metros de altura

O Pico da Bandeira é o principal atrativo de recreação do Parque, frequentado especialmente nos meses de inverno por grande número de pessoas. No caso, a principal atividade realizada é a subida ao Pico durante a noite para ver o nascer do sol e, sendo assim, o período preferencial é aquele da lua cheia no mês de julho.

O Parque Nacional do Caparaó está aberto ao público para visitação durante todo o ano, de segunda a domingo de 7h a 18h para visitas, com ou sem pernoite. Segue o link para mais informações: http://www.icmbio.gov.br/parnacaparao/guia-do-visitante.html



Agasalhos de frio (imprescindível) como casacos, luvas, gorros, meias grossas e um bom calçado porque a trilha é sobre pedras e cascalhos. Não esqueça também de levar água, alimentos rápidos para se comer e digerir como biscoitos, chocolates, barras de cereal, amendoim. Lembrem-se que a trilha é longa e ter uma boa reserva energética é fundamental para aguentar a trilha e o frio.

Caso for acampar, leve um bom isolante térmico e um bom saco de dormir, pois a noite faz bastante frio. Também é necessário levar lanternas.

Também faz-se necessário levar um óculos escuros e protetor solar, pois o frio mascara a intensidade solar e no final do dia você pode estar bem queimado no rosto.



Existem duas portarias principais para se chegar ao Parque Nacional do Caparaó:

  • Portaria de Pedra Menina (ES):

Seguir para o município de Dores do Rio Preto até distrito de Pedra Menina (27 km) onde fica a entrada capixaba do parque. De Pedra Menina a Portaria são 9 km de estrada pavimentada. Seguem as melhores opções para se chegar lá:
  1. Vitória -> Siga 131 km pela BR-101 até Cachoeiro de Itapemirim (ES). Partindo de Cachoeiro, são mais 75 km até Guaçuí (ES) e então, mais 37 km até Dores do Rio Preto (ES).
  2. Belo Horizonte -> Siga 292 km pela BR-262 (sentido Vitória), até o trevo de Reduto(MG). A partir daí, são 58 km até Espera Feliz(MG) e mais 10 km até Dores do Rio Preto(ES). Outra opção é seguir do Município de Espera Feliz até o distrito do Paraíso. São aproximadamente 25 km de estrada asfaltada. De Paraíso a portaria do Parque são mais 7 km de estrada pavimentada.
  3. São Paulo -> Na Rodovia Presidente Dutra, siga 319 km até Volta Redonda. De Volta Redonda siga mais 368 km pela BR-116 até o trevo de Fervedouro (MG). De Fervedouro são mais 47 km até Espera Feliz (MG) e então, mais 10 km até Dores do Rio Preto (ES)
  4. Rio de Janeiro ->  Siga 92 km até o trevo de Teresópolis (RJ). Após isso siga 277 km pela BR-116 até Fervedouro (MG). De Fervedouro ande mais 47 km até Espera Feliz (MG) e mais 10 km até Dores do Rio Preto (ES).


Além disso existem transportes públicos que ajudam a chegar até a Portaria de Pedra Menina (ES). Seguem as melhores opções para se chegar lá:
  1. Vitória -> Pegue um ônibus até o município de Cachoeiro do Itapemirim, depois para Alegre - Guaçuí - Dores do Rio Preto - Pedra Menina.
  2. São Paulo -> Pegue um ônibus até a cidade de Espera Feliz, depois para os distritos de Paraíso e Pedra Menina.
  3. Rio de Janeiro -> Pegue um ônibus até a cidade de Espera Feliz, depois para os distritos de Paraíso e Pedra Menina.


  • Portaria Alto Caparaó (MG):

Seguir para o município de Alto Caparaó. Seguem as melhores opções para se chegar lá:
  1. Vitória -> Siga pela rodovia BR-262, sentido Belo Horizonte(MG). Após 15 km da divisa dos estados do Espírito Santo e de Minas Gerais, siga à esquerda na rodovia para Manhumirim (MG) e Alto Jequitibá (MG). Em Alto Jequitibá, siga à esquerda para o Alto Caparaó (MG), totalizando cerca de 225 km de distância da capital capixaba.
  2. Belo Horizonte -> Siga 280 km pela rodovia BR-262 no sentido Vitória (ES) até a cidade de Manhuaçu (MG). Após a entrada de Manhuaçu, siga à direita na rodovia para Manhumirim (MG) e Alto Jequitibá (MG). Em Alto Jequitibá, siga à esquerda para  o Alto Caparaó (MG), totalizando cerca de 330 km de distância da capital mineira.
  3. São Paulo -> Na Rodovia Presidente Dutra, siga 319 km até Volta Redonda (RJ), depois siga pela BR-116 até o trevo de Fervedouro (MG). Em Fervedouro, siga à direita para Carangola (MG) e mais tarde à esquerda para Alto Jequitibá (MG). Em Alto Jequitibá, siga à direita para Alto Caparaó (MG), totalizando cerca de 910 km da capital paulista.
  4. Rio de Janeiro -> Na rodovia BR-040, siga 123 km sentido Belo Horizonte (MG) até a cidade de Três Rios(RJ), depois siga à direita na rodovia BR-116 sentido Salvador (BA) até a cidade de Fervedouro (MG). Em Fervedouro, siga à direita para Carangola (MG) e depois à esquerda, a rodovia para Alto Jequitibá (MG). Em Alto Jequitibá, siga à direita para Alto Caparaó (MG), totalizando cerca de 430 km de distância da capital carioca.


Além disso existem transportes públicos que ajudam a chegar até a Portaria de Alto Caparaó (MG). Seguem as melhores opções para se chegar lá:
  1. Vitória -> Para chegar a Alto Caparaó, há necessidade de completar dois trechos. O primeiro trecho Vitória (ES) – Manhumirim (MG), atualmente operado pela Viação Águia Branca - Linha Vitória X Carangola, Existem outras empresas que também fazem trajeto similar, confira na rodoviária de Vitória.
  2. Belo Horizonte -> Para chegar ao Parque, há necessidade de completar dois trechos: Belo Horizonte – Manhumirim e Manhumirim - Alto Caparaó, atualmente pela Viação Rio Doce, com vários ônibus diários. O percurso total tem cerca de 370 km.






Pico da Bandeira é daqueles picos que te traz um certo desafio por ser o maior pico acessível de nosso país, pois o Pico da Neblina e o 31 de Março são difíceis de visitar devido a logística e por ser uma área dominada pelos indígenas. Então montamos um grupo de aventureiros para começar a nossa jornada na estrada.



Seguimos pela tarde do Rio de Janeiro com o objetivo de chegarmos em Alto Caparaó pela noite. Esta cidade está aproximadamente a 997 metros de altitude e é onde se encontra a entrada do Parque Nacional do Caparaó pelo lado de Minas Gerais.



Pegamos a estrada e depois de algumas paradas para comer e beber algo, chegamos como o previsto pela noite no parque.



Entramos no parque e arrumamos as coisas nas mochilas pra começar a nossa aventura, não sem antes dar uma conferida na lua.



Hora de caminhar!! Distribuímos o peso em cada mochilão e fomos andando pela trilha. A trilha é pouco íngreme, bem aberta e possui setas pintadas de amarelo no chão indicando o caminho correto. Andamos por cerca de 30 minutos e descansamos um pouco, pois o mochilão estava pesado.



Retomamos o fôlego e seguimos por cerca de 2 horas até chegarmos no Terreirão, outro ponto de descanso. Como estava muito cheio resolvemos descansar ao lado e comer algo para a parte final da trilha.



A trilha no trecho final era de mata mais fechada e tinha muita neblina também, fazendo com que andássemos sem pressa para que  não pudéssemos se perder. O uso de uma boa lanterna foi fundamental.

Já estava bem frio ali no terreirão, conforme íamos subindo mais o frio aumentava e o nível de dificuldade também, pois a trilha no final estava ficando cada vez mais íngreme. A cada 15 minutos parávamos para descansar e repor as energias. Comecei a sentir o ar rarefeito também e p cansaço parecia maior a cada metro de altura conquistado.

Andamos por cerca de 2 horas e meia até finalmente chegarmos ao topo, dando um total de cerca de 5 horas de caminhada (sem contar a parada no Terreirão). Estava ventando muito e estava muito frio. Tive que colocar mais uma meia no pé e tirar o tênis foi difícil, parecia tudo congelar. O que compensava isso tudo era ver a lua acima das nuvens, que lugar!!!



Para a minha surpresa, tinha bastante gente no local, parecia uma peregrinação esperando o Sol nascer. Alguns trouxeram até cobertor para se proteger do frio. Não tínhamos termômetro lá em cima, mas a sensação térmica com certeza era de negativo.



Estávamos bem preparados para o frio de lá. Eu por exemplo usei dois casacos, duas meias, duas calças, além de luvas e gorros,  porém cometi o erro de levar meias baixas e o frio do vento que passava entre o tênis e a calça era demais. Passei maus bocados com esse frio e o vento não dava trégua em momento algum.

Mas de repente tudo começou a ficar melhor e o Sol começava a dar sua cara.



Hora de sentar e esperar o Sol nascer.




A sensação de estar acima das nuvens e ver o Sol nascer era surreal!! Um espetáculo da natureza!!!



Assim que o Sol começou a nascer, parou de ventar como se fosse mágica!!! O frio entre o tênis e a calça ia finalmente melhorando para valer e eu comecei a curtir mais aquele momento.



Conforme o Sol ia nascendo, nos demos conta de como era bonito admirar tudo isso lá de cima.



Com tanta beleza, não tinha como não se sentir abençoado.



Alinhamento perfeito entre o Sol, as montanhas e o mar de nuvens.



Dava até para brincar e tirar fotos de calendário.



E pela primeira vez, pude "pegar" o Sol.



O Sol ferve!!!



As nuvens parecem algodão!!!



As montanhas parecem de mentira!!!



E a vegetação rasteira compondo a região.



Todos em perfeita harmonia.



Opa, melhor eu estar ali também!!!



Não tinha mais o que dizer, era o nascer do Sol mais bonito da minha vida, uma coisa de louco!!!



Hora de registrar este momento com o grupo!!!



E também de registrar os "peregrinos" no pico.



Com uma paisagem dessa, fica fácil tirar foto!!!



Até o tico-tico sai bem na foto.

(Tico-tico)

Belezas a mais belezas.



Ao visualizar o monumento do Cristo em cima do pico vimos este lindo fenômeno nas nuvens. Estaríamos sendo abençoados?



Após a grande sessão de fotos, resolvemos voltar logo pois o céu parecia um pouco instável com muitas nuvens indo e vindo. Em um lugar tão alto como este é melhor não arriscar.



Fomos andando de volta montanha abaixo com receio de que esta serração pudesse nos atrapalhar.



E quem disse que descer não cansa? Hora de uma pequena parada porque descer com peso não é mole não.



Voltamos a pegar mais um pouco de neblina na trilha, mas nada que pudesse nos atrapalhar muito na trilha.



Finalmente conforme estvávamos descendo, a neblina começou a se dissipar.



Começamos a ver belas paisagens conforme estávamos descendo a montanha.



Até que visualizamos o famoso Pico do Cristal, um dos picos mais altos do parque.

(Pico do Cristal)

Uma bela hora de descansar e tirar uma foto com o pico.



No local também existia uma espécie de abrigo feito de pedra, será que alguém dormia por ali?



Também existiam plantas em tamanhos e formatos curiosos.




Hora de caminhar novamente em direção ao Terreirão.



Anda por cerca de 2 horas em trilha aberta e com o chão cobertos de cascalhos e pedras, até chegarmos ao Terreirão. Confesso que a descida é tão complicada quanto a subida, pois força bastante a articulação dos joelhos. O peso dos mochilões também dificultavam bastante a descida.



Chegamos finalmente no Terreirão esgotados. Afinal estar horas na estrada, subir o pico de madrugada e descer logo em seguida com o mochilão e tudo cansou bastante. Necessitávamos descansar um pouco e este lugar seria o Terreirão. Nossa amiga aventureira era a única ainda disposta a tirar algumas fotos do pessoal descansando.



Ela também ajudou a fazer a comida para que pudéssemos repor as energias, porque se fosse do nosso amigo na foto a comida ia é pegar fogo.....hehehe.



Eu e meu amigos também não escapamos das fotos, cheguei a cochilar sentado.




Comemos um belo macarrão e passamos um tempo descansando. No Terreirão já havia bem menos pessoas do que na subida para o pico, restando apenas algumas barracas na área. No tempo que estivemos lá vimos uma Seriema andando pela área.

(Seriema)
O Terreirão tem 2.370 metros de altitude e fica na metade do caminho ente a Tronqueira e o Pico da Bandeira (cerca de 4,5 km). Costuma ser um local de descanso para montanhistas que utilizam a Casa de Pedra como abrigo.

(Casa de Pedra do Terreirão - Fonte: Google)

Depois de ter um bom tempo de descanso, levantamos e perambulamos por mais algumas horas em direção a Tronqueira. O Sol estava ficando mais forte com o passar do tempo e o frio estava amenizando, não era mais necessário utilizar casacos. Hora de um descanso rápido.



Não estávamos preocupados com a hora, então andamos em um ritmo lento para cansar menos e apreciarmos um pouco a paisagem. 



Andamos por cerca de uma hora e já estávamos conseguindo ver o Vale Encantado (1.980 m de altitude), sinal de que estávamos bem mais perto do que pensávamos, mas ainda longe do camping.



No meio do caminho encontramos uma araucária solitária  entre a vegetação rasteira do parque.



Por fim passamos na beira do Vale Encantado, sinal de que estávamos perto de nosso destino.

(Vale Encantado)

Finalmente depois de tanto caminhar, chegamos na Tronqueira que fica a 1.970 metros de altitude. Estávamos exaustos e preferimos descansar bem do que pegarmos horas de estrada de novo. Então começamos a preparar a barraca para dormir e também tomar um banho. 

Perto do banheiro, notei que algumas pessoas estavam gritando bastante, o que achei bem estranho. Porque alguém gritaria no banheiro?

Quando entrei nele vi que as pessoas que estavam tomando banho é que estavam gritando, o que achei mais estranho ainda.

Maaaaaasss, quando foi minha vez de entrar no banho......MEU DEUS!!!!

Que água gelada!!! Nossa mãe do céu!!!! Compreendi com clareza os gritos do pessoal. Era muito frio mesmo. Sentia meus dedos doerem ao tocar na água e tudo mais. Era impossível tomar um banho relaxante naquele lugar com a água gelada que tinha naquele chuveiro. 

O jeito foi tomar um banho de gato mesmo e se dar por satisfeito. De longe este foi o banho mais gelado que tomei em toda a minha vida!!!

Depois de montar a barraca, tomar banho e comer, esperamos a noite cair e dormirmos cedo. Realmente o cansaço era grande.

Assim que acordamos, tomamos um café delicioso. Nossa amiga aventureira tinha comprado Nutella!!! Misturamos no leite e esquentamos, que maravilha!!! Não sei se a fome estava muita assim, mas a comida estava deliciosa. Acho que foi um dos melhores cafés-da-manhã que já tomei. Tínhamos que registrar esse momento delícia.



O tempo estava aberto e então era hora de explorarmos um pouco mais o camping. Andamos por lá e notamos que existiam muitos quatis por ali. 

OBS: Eles não eram agressivos, mas somos sempre orientados a não darmos comida a eles para que eles não nos ataquem achando que temos comida. Tratam-se de animais selvagens e não são domesticados pelo homem, então não alimente-os.

(Quati)

Eles não tinham nenhum receio de nós e chegavam bem perto, acredito que esperando que entregássemos alguma comida a eles.



Eles também vasculhavam todo o camping à procura de comida.



Antes de irmos embora, fomos até o mirante da Tronqueira observar a paisagem do Vale do Caparaó.

(mirante da Tronqueira)

E que paisagem!!!


(vista do Vale do Caparaó pelo mirante da Tronqueira)

Apreciar uma paisagem dessa não tem preço. #lifeaholic



Hora para foto do grupo.



Depois da sessão de fotos era hora de irmos embora, então desmontamos a barraca e fomos embora do camping. 

Já na descida existia uma marcação para irmos na Cachoeira Bonita. Como estávamos com tempo fomos para lá.

Andamos por cerca de 10 minutos de trilha leve até chegarmos em um mirante para visualizar a cachoeira.

(mirante da Cachoeira Bonita)

A cachoeira era realmente bonita, não?

(Cachoeira Bonita)

Olhando um pouco mais abaixo registrei um momento em que nosso amigo aventureiro aparece na foto discretamente, no melhor estilo "Onde está Wally?". Conseguem achá-lo?



Achamos interessante o cuidado do local com estes latões para coleta de lixo, afinal um lugar lindo como este merece ser bem preservado.



Descemos então mais um pouquinho e finalmente pudemos ver a cachoeira de baixo. São 80 metros de queda.
(Cachoeira Bonita)

Hora para foto do grupo.



Retornamos e pegamos a estrada em direção ao Rio de Janeiro. No caminho estávamos com fome e sem dinheiro. Resultado? Paramos no estacionamento de uma churrascaria e fizemos o nosso almoço lá mesmo.



Na saída da cidade em meio a estrada, visualizamos esta linda cachoeira que não sabíamos o nome, mas o registro foi feito.





Com isso chego ao fim da postagem. Espero que tenham gostado!

Segue abaixo alguns outros atrativos do Parque Nacional do Caparaó:

- Vale Encantado
- Cachoeira do Egito
- Cachoeira do Escorrega
- Cachoeira das Andorinhas
- Pico do Calçado
- Pico do Cristal


Até a próxima aventura!



8 comentários:

  1. Caracas Julio que lugar mais lindo! Sem palavras para descrever.... Show! Parabéns!

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    1. Que bom que gostou Mariane, alguma das fotos foram feitas por um amigo meu que tem câmera profissional e isto ajudou bastante no post.
      Obrigado por sempre visitar o blog!!! =)

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    1. Que bom!! Este foi um dos lugares mais lindos que fui mesmo. =)

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  3. Que aventura vocês puderam vivenciar!!!! quero ir no pico da bandeira esse ano. Muito bom.

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    1. Vai sim Albert. Eu indico ir no período de inverno, pois apesar de ter mais frio, o tempo fica mais estável. Vai ser uma aventura inesquecível!!!
      Abraço!

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  4. Olá! Dá pra subir sem guia mesmo à noite? As lanternas dão conta pra ver a direção correta?

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    1. Olá, quando subimos a trilha só usamos lanterna de cabeça e deu tudo certo. Existem muitas pessoas subindo no fim de semana e a trilha é bem aberta e quase não há bifurcações. Porém, claro que pode ir com um guia caso tenha receio de fazer a trilha.

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